quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A ESCOLHA

A paz que você reclama e tenta encontrar...
Depende de você.
A compreensão que você reivindica a cada passo...
Depende de você.
A bondade que você admira nas pessoas e sonha possuir...
depende de você.
O diálogo, base de toda convivência...
Depende de você.
A abertura que é o caminho para a renovação...
Depende de você.
A realização que você julga essencial...
Depende de você.
O amor que você quer encontrar nos outros...
Depende de você.
A organização que você apregoa...
Depende de você.
Pondere:
Queixar-se ou ter reconhecimento, acomodar-se ou servir, desprezar ou valorizar, revoltar-se ou colaborar, adoecer ou curar-se, rebaixar-se ou elevar-se, calar-se ou dialogar, fechar-se em si mesma ou abrir-se, estacionar ou progredir... é sempre uma questão de escolha... e esta escolha:
DEPENDE DE VOCÊ

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A MULHER MADURA (Affonso Romano de Sant'Anna)

O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso, repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.
Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no livro A mulher madura. Leia também

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Desejo

Neste Natal e final de ano que se aproxima, eu desejo que o Senhor:

Nos ajude a esquecer as coisas tristes e impuras da vida;
Nos ajude a esquecer o ódio, a inveja, todas as sombras negras e terríveis que moram no fundo do nosso coração;
Livre a nossa memória e o nosso coração do peso e do horror dessas negras imagens;
Limpe o nosso olhar de todas as falsas luzes e os nossos sentidos e a nossa alma de toda lembrança que não seja ternura e bondade!
Nos faça esquecer a mão que se recusou a amparar a nossa mão, e perdoar à que negou água à nossa boca sedenta e ao que, em vez de curar as nossas chagas, desumanamente nos feriu e nos humilhou.

Nos dê forças para esquecer todas as maldades e ingratidões do mundo.
Nos propicie o constante ensejo de bendizer o presente e de caminhar serenamente para o futuro, a invariável indiferença ante a cólera e a mesquinha perseguição injusta.

Nos ajude a esquecer as coisas tristes e impuras da vida, para que sejamos cada dia menos imperfeitos.

Beijos

A ILUSÃO DA MORTE

Veja a flor como algo que está morrendo e verá com tristeza.
Veja-a como parte de toda uma árvore que está mudando e logo dará frutos,
e verá sua verdadeira beleza.
Quando você compreende que o desabrochar e o desaparecimento da flor é um sinal de que a árvore está pronta para dar frutos, compreenderá o que é a vida.

Pense bem nisso e verá que a vida é sua própria metáfora.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

LETÍCIA MONSÓ na Rádio Record

Olá pessoas!

Nesta 2ª feira (07/12) participarei do Programa João Ferreira na Rádio Record AM 1000 kHz às 20:00 horas.
Não deixem de ouvir.

Beijos

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O PERDÃO

A idéia de perdão envolve coisas tão díspares como a culpa, o crime, o castigo, o pecado, o sofrimento, a morte, o esquecimento e a reconciliação.
Sendo um tema de fronteira, está presente em discursos diversos como o religioso, o jurídico, o político, o ético, o psicanalítico etc.
Este curso aborda a reflexão de Paul Ricoeur, Jacques Derrida e Hannah Arendt, três pensadores fundamentais da contemporaneidade que refletiram sobre as diversas dimensões do perdão, e a experiência da Comissão Verdade e Reconciliação – CVR, que trouxe à tona a discussão sobre o apartheid na África do Sul, iluminando questões políticas e filosóficas a respeito deste tema tão delicado quanto interessante.
Serão discutidas também as noções de perdão na experiência religiosa e na psicanálise.

Luci Buff, Luiz Tenório Oliveira Lima e Leandro Karnal

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Novo vídeo

Vejam o vídeo com a música "Só Tenho a Ti" do meu CD "Carpintaria do Brasil", que já está disponível no youtube.

Aliás, convido a todos para entrarem no youtube e ver não só este, mas outros vídeos meus.

Um beijo