quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A MULHER MADURA (Affonso Romano de Sant'Anna)

O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso, repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.
Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no livro A mulher madura. Leia também

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Desejo

Neste Natal e final de ano que se aproxima, eu desejo que o Senhor:

Nos ajude a esquecer as coisas tristes e impuras da vida;
Nos ajude a esquecer o ódio, a inveja, todas as sombras negras e terríveis que moram no fundo do nosso coração;
Livre a nossa memória e o nosso coração do peso e do horror dessas negras imagens;
Limpe o nosso olhar de todas as falsas luzes e os nossos sentidos e a nossa alma de toda lembrança que não seja ternura e bondade!
Nos faça esquecer a mão que se recusou a amparar a nossa mão, e perdoar à que negou água à nossa boca sedenta e ao que, em vez de curar as nossas chagas, desumanamente nos feriu e nos humilhou.

Nos dê forças para esquecer todas as maldades e ingratidões do mundo.
Nos propicie o constante ensejo de bendizer o presente e de caminhar serenamente para o futuro, a invariável indiferença ante a cólera e a mesquinha perseguição injusta.

Nos ajude a esquecer as coisas tristes e impuras da vida, para que sejamos cada dia menos imperfeitos.

Beijos

A ILUSÃO DA MORTE

Veja a flor como algo que está morrendo e verá com tristeza.
Veja-a como parte de toda uma árvore que está mudando e logo dará frutos,
e verá sua verdadeira beleza.
Quando você compreende que o desabrochar e o desaparecimento da flor é um sinal de que a árvore está pronta para dar frutos, compreenderá o que é a vida.

Pense bem nisso e verá que a vida é sua própria metáfora.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

LETÍCIA MONSÓ na Rádio Record

Olá pessoas!

Nesta 2ª feira (07/12) participarei do Programa João Ferreira na Rádio Record AM 1000 kHz às 20:00 horas.
Não deixem de ouvir.

Beijos

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O PERDÃO

A idéia de perdão envolve coisas tão díspares como a culpa, o crime, o castigo, o pecado, o sofrimento, a morte, o esquecimento e a reconciliação.
Sendo um tema de fronteira, está presente em discursos diversos como o religioso, o jurídico, o político, o ético, o psicanalítico etc.
Este curso aborda a reflexão de Paul Ricoeur, Jacques Derrida e Hannah Arendt, três pensadores fundamentais da contemporaneidade que refletiram sobre as diversas dimensões do perdão, e a experiência da Comissão Verdade e Reconciliação – CVR, que trouxe à tona a discussão sobre o apartheid na África do Sul, iluminando questões políticas e filosóficas a respeito deste tema tão delicado quanto interessante.
Serão discutidas também as noções de perdão na experiência religiosa e na psicanálise.

Luci Buff, Luiz Tenório Oliveira Lima e Leandro Karnal

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Novo vídeo

Vejam o vídeo com a música "Só Tenho a Ti" do meu CD "Carpintaria do Brasil", que já está disponível no youtube.

Aliás, convido a todos para entrarem no youtube e ver não só este, mas outros vídeos meus.

Um beijo

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Destratar, maldizer outra pessoa, por exemplo, é como manter nosso dedo em um soquete de luz.
É uma causa que traz um efeito concreto e doloroso .
— mas não é a energia elétrica que precisa cessar!
É o ato que nos traz em contato perigoso com ele. É colocar o dedo no soquete, na tomada da vida!
Hoje, estar atento a luz divina que existe em cada pessoa que você encontra, se depara, lê ou julga, na maioria das vezes sem ao menos conhece-la.
Lembre-se de que ações de compartilhamento em relação aos outros serão julgadas sempre no seu próprio interesse, tanto para o bem, quanto para o mal.

Yehuda Berg

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tudo o que está doente no ser humano está assim por falta de amor.
Tudo o que está errado com o homem está de algum modo associado ao amor.
Ele não está sendo capaz de amar ou não está sendo capaz de receber amor.
Ele não está sendo capaz de compartilhar o seu ser.
Esse é o problema, esse fato cria todo tipo de complexo dentro dele."

By: um sábio

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

TALENTO

Quando a gente ouve falar em talento pensa logo em artista, em gente famosa...
Talentoso não é só quem aparece em jornais, revistas e tv.
Talento é como impressão digital: Cada um tem o seu e nunca é igual ao do outro.

Muita gente fala que não tem Talento pra nada.
Se a gente achar que o só os gênios ou os ganhadores do Oscar tem talento, fica difícil ver talento em nós mesmos.
Talento não tem que ser notícia, nem recorde, nem ibope. Talento é aquela coisa que a gente faz com naturalidade e faz bem feito!

Tem gente que nasceu pra cuidar de casa. Você acha pouco? Administrar uma família exige talento...
Tem gente que passa a vida feliz, só consertando carros. Mexer num motor exige talento...
Eu vejo talento nas mínimas coisas.

O sorriso de um balconista, por exemplo, me chama a atenção pra um talento raro hoje em dia:
O talento de ser gentil e atencioso.

Eu conheço gente que não tem habilidade nenhuma na cozinha, mas que tem um talento enorme pra reunir pessoas em volta de uma mesa. Aí os jantares ficam inesquecíveis.
Eu valorizo muito o talento, por menos visível que ele seja.

Você não precisa subir num palco pra mostrar que tem talento. Por trás de um grande espetáculo, tem muito talento em jogo. Do diretor...
Ao funcionário encarregado de abrir e fechar as cortinas.

Tenha orgulho do seu talento, mesmo que ele não vire notícia. Mesmo que ele pareça tolo aos olhos dos outros.
Você é único no que faz. Principalmente se faz com dedicação e humildade.

Texto de Lena Gino

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A BUNDA DURA

Olá pessoas! Leiam este texto, é muito interessante.

Tenho horror a mulher perfeitinha.Sabe aquele tipo que faz escova toda manhã, tá sempre na moda e é tão sorridente que parece garota-propaganda de processo de clareamento dentário?E, só pra piorar, tem a bunda dura !!!Pois então, mulheres assim são um porre.. Pior: são brochantes.Sou louco?Então tá, mas posso provar a minha tese. Quer ver?

a) Escova toda manhã:A fulana acorda as seis da matina pra deixar o cabelo parecido com o da Patríciade Sabrit. Perde momentos imprescindíveis de rolamento na cama, encoxamento do namorado, pegação, pra encaixar-se no padrão 'Alisabel', que é legal...Burra.

b) Na moda:Estilo pessoal, pra ela, é o que aparece nos anúncios da Elle do mês. Você vê-la de shortinho, camiseta surrada e cabelo preso? JAMAIS!O que indica uma coisa: ela não vai querer ficar desarrumada nem enquanto estiver transando.

c) Sorriso incessante:Ela mora na vila dos Smurfs?Ta fazendo treinamento pra Hebe?Sou antipático com orgulho, só sorrio para quem provoca meu sorriso..Não gostou?Problema seu. Isso se chama autenticidade, meu caro.Coisa que, pra perfeitinha, não existe. Aliás, ela nem sabe o que a palavra significa... Coitada.

d) Bunda dura:As muito gostosas são muito chatas.Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão.Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninhasaindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia:nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece!

Portanto:É melhor vc ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho,ou então calça jeans desbotada e camiseta básica , faz academia quando dá, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada;
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps.

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí?Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução.Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!

Arnaldo Jabor
E não se esqueça.... Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!!!!!!!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A vida comparada a uma SAUNA!

Freqüentemente utilizo a analogia de uma sauna ao discutir maneiras de se lidar com a pressão causada por circunstâncias difíceis.

Quando nos sentamos em uma sauna, ou quarto de vapor, à medida que sentimos prazer com o calor e começamos a suar, uma fantástica sensação de relaxamento, de liberação das tensões, vai nos envolvendo. E, talvez, a presença de mentol e eucalipto no ar, com seu cheirinho gostoso, torne tudo ainda mais agradável. Mas, aí, um novo jato de vapor é acionado, ou água é borrifada sobre o carvão quente, e a sauna fica realmente muito, muito, quente mesmo. Mal dá para agüentar. E, embora estejamos experimentando algo muito saudável, começamos a nos sentir desconfortáveis.

Até que chega o momento em que - não agüentando mais o calor intenso - decidimos disparar em direção à porta de saída, porque estamos, simplesmente, desconfortáveis demais!

Hoje, agüente o desconforto associado com a quebra do ego, com a tendência a ficar na defensiva, como se sentir ofendido. É como se você, de certa forma, decidisse ficar mais um minuto, ou dois, na sauna, para desenvolver em si mesmo uma capacidade de permanecer mais tempo dentro dela.


Yehuda Berg

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

INTELIGENCIA FEMININA

Há cinco extensões do ego: raiva, ódio, julgamento, controle e orgulho. São as ramificações, os galhos, da árvore do ego – formas através das quais ele pode se manifestar. Todos nós temos a capacidade de nos aborrecermos. Todos nós vivemos aqueles momentos onde nos sentimos desgostosos com as pessoas. Todos nós julgamos. Todos nós ficamos obcecados tentando obter algum nível de controle. Todos nós apresentamos uma tendência a nos considerarmos muito importantes – e isso é orgulho.

O ego pode alcançar e atingir todos os cantos de nossa vida, quando o permitimos.

Hoje, preste atenção aos momentos em que você estiver expressando uma das cinco extensões do ego. Vá cavando, escavando, até chegar às profundezas, e trabalhe no sentido de desinflar o que encontra. Mantenha-se firme em seu objetivo, e, para tanto, esteja aberto e disposto a revelar todos os disfarces do ego.
Yhehuda Berg

terça-feira, 13 de outubro de 2009

DICA CULTURAL

Olá pessoas!!
Vejam abaixo este evento. Achei bem interessante.
Um abraço

A Invenção de um Mundo - Coleção da Maison Européenne de la Photographie, Paris

O Itaú Cultural apresenta mostra com obras do acervo da Maison Européenne de la Photographie, Paris (MEP), que guarda importante coleção da fotografia contemporânea mundial. As obras que compõem a mostra A Invenção de um Mundo, com curadoria de Eder Chiodetto e Jean-Luc Monterosso, questionam o conceito de realidade e ficção no registro fotográfico e abrem um painel de discussão sobre o estágio atual da fotografia.

São trabalhos assinados por artistas que, à revelia do registro do que existe, escolheram a construção de cenas e de personagens para inaugurar outros mundos. Além da mostra, haverá seminário, apresentação de relatos de experiência - com dois fotógrafos que participam da exposição - e encontro com os curadores.

Veja aqui mais informações sobre a exposição e seminário. Exposição quinta 15 de outubro a domingo 13 de dezembro - Seminário Internacional − As Invenções da Fotografia Contemporânea; quarta 14 a sábado 17 de outubro - Encontro com o curador; sábado 17 de outubro às 15h visitas agendadas: 11 2168 1876 [segunda a sexta 10h às 18h] entrada franca informações 11 2168 1776 ou ramal 1777

Imagem: Le banquet de Bernard Faucon

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A ARTE DE CRIAR A FELICIDADE




”As mulheres são o suporte do mundo. Nosso papel é formar a fundação para a espiritualidade que entra em nossas casas, ambiente de trabalho e em nossas vidas.Que todas as mulheres encontrem suas vozes para que suas habilidades espirituais sejam ouvidas mais alto do que nunca, através do mundo inteiro.”

Karen Berg - Trecho do Livro “ Simple Light ”

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Agora que está de volta a São Paulo, LETÍCIA MONSÓ está com a agenda de divulgação bastante cheia com entrevistas e programas de rádio e televisão.

Mãos à obra!

Como ela diz "chega de viagens e rumo ao CD Carpintaria do Brasil".

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

LETÍCIA MONSÓ na TV Gazeta

Oi pessoas!!!

Nesta 2ª feira (14/09) das 11:00 às 13:10 horas, eu LETÍCIA MONSÓ, estarei no programa "Manhã Gazeta" com a apresentadora Ione Borges divulgando o meu novo CD "Carpintaria do Brasil".

Inclusive vou cantar uma música inédita de Adoniran Barbosa e Hilda Hilst "Só tenho a Ti".

Não deixem de assistir! Espero um comentário de vocês.

Beijos a todos

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

INDICAÇÃO PRÊMIO

Letícia Monsó que participa do elenco de "QUERÔ - Uma reportagem maldita" e que esteve em longa temporada em São Paulo, comemora a indicação para o prêmio Shell de melhor direção e melhor trilha sonora do espetáculo e também indicação para o prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro 2009 - Indicados do Primeiro Semestre.

Projeto Sonoro: Integração orgânica entre os elementos sonoros do espetáculo e sua realização cênica: palavra, canto, trilha original ou adaptada, arranjos e sonoplastia.

* Querô, uma Reportagem Maldita (Grupo Folias D'Arte)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

11 de agosto - Dia de Santa Clara

Esta expressão brotou dos lábios e do coração de Santa Clara de Assis pouco antes da sua partida para o Pai.

Hoje voltamos a celebrar esta grande Mulher que, deixando as honrarias do mundo e os pergaminhos da nobreza, se apaixona por Jesus Cristo e se dispõe a segui-lo de uma forma radical ao jeito do Poverello de Assis.

Os sonhos da vida palaciana, de um casamento bem pensado – ao jeito da idade média – depressa passam ao lado das opções da jovem Clara.

Também ela vai buscar para si exemplos e modelos de vida, entrega e doação. Francisco de Assis e os seus companheiros estão presentes no seu pensamento e é com a sua ajuda que ela deixa a casa paterna dos Offreducio para, a meio da noite, e saindo pela chamada “porta do morto (por onde saíam os defuntos), se dirigir com a sua ama ao encontro de Francisco e dos seus irmãos.

É na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos da Porciuncula que estes a esperam. A noite brilha com a luz dos archotes e alegra-se com o cantar dos freis. A noite escura torna-se agora mais clara porque é o lugar da Consagração da mulher mais “Clara que o dia”, da jovem esposa de Cristo que quer ser também ela Menor entre os Irmãos Menores.

Cortado o cabelo (símbolo da Consagração), vestido o hábito de burel como o de Frei Francisco, e um véu na cabeça tornam-se o início de uma nova forma de Vida Consagrada, a Vida das Damas pobres de S. Damião, que mais tarde vêm a chamar-se, e até aos nossos dias, Irmãs Clarissas.

Clara deixa a Pociuncula e vai retirar-se para esta outra Capela e conventinho, o de S. Damião. Se a Porciuncula é o lugar da fundação da Ordem Franciscana, e todos os Movimentos que ao longo destes oito séculos seguiram e seguem Francisco e a Menoridade. S. Damião é o lugar do chamamento, da vocação e do encontro com o Cristo pobre e crucificado que teima em repetir a Francisco e Clara em cada dia “Vai e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”.

Francisco e os seus irmãos entregam este lugar especial a Clara e às sua companheiras de vida e oração. Ali, Clara vive a Menoridade de uma forma muito especial, na entrega total a Cristo na oração contemplativa. Clara é o rosto feminino da Ordem Franciscana e aqui ela tem a missão de ser Mãe, Irmã e Mestra das jovens e mulheres que como ela querem seguir Cristo na radicalidade ao Evangelho. Sim, Francisco e a sua forma de ser e estar no mundo e na Igreja, é o modelo, o exemplo a seguir para não trilhar caminhos que afastem do espírito impelido por Cristo à vida de Francisco e seus irmãos.

A oração e contemplação não esquecem a esmola e o serviço aos outros. As irmãs, e Clara com elas, tal como os frades vão pelas ruas a pedir esmola porque a identificação com os pobres era apanágio desta entrega total a Cristo pobre. E são os pobres que tantas vezes acorrem à Irmã Clara pedindo ajuda nas suas dificuldades físicas ou no pedido de orações.

A “altíssima pobreza” torna-se para Clara “o privilégio da altíssima pobreza”. Olhar e viver o voto de pobreza como “um privilégio” é algo apenas para quem tem muito fortemente o Espírito do Senhor, mais, para quem vive nesta terra apenas em corpo porque tudo o demais da vida está sempre em Deus, Aquele a quem louva constantemente por a haver criado.

A pobreza é o nome que ela tanto quer para sua identificação: as senhoras pobres…
Ser pobre implica estender a mão, o olhar e o coração para alguém que pode ajudar, significa estar livre para acolher cada dia e cada momento da história como algo novo, novo amanhecer, novo encontro com Deus e com os irmãos. Clara, como Francisco, tem um grande sentido de pertença à fraternidade. Uma Ordem religiosa que não se sente mais que de Irmãos e Irmãs Menores numa Igreja onde as hierarquias eram tão acentuadas.

Clara não quer viver ao jeito das monjas beneditinas, quer ser Consagrada no recôndito do seu conventinho, mas ao jeito de Francisco. S. Damião torna-se então, no dizer de Francisco, o jardim mais belo plantado por Deus e onde o próprio Cristo o chama a ser Menor. Clara é, neste jardim, a plantazinha de Francisco.

O amor de Clara a Cristo, à Igreja e ao testemunho de vida de Francisco, levam-na a pedir incessantemente ao Papa que lhe aprove a Forma de Vida do privilégio da altíssima pobreza, para ela e todas as que quisessem seguir o seu estilo de vida.

Este sentido de pertença e a teimosia da santidade que nela já habitava faz com que, já quase no seu leito de morte, o Papa aprove em definitivo esta norma de vida. Clara pode partir em paz porque viu aprovado, com os seus próprios olhos, o projeto que sentia ser o de Cristo para si. Ela é definitivamente o rosto feminino de Francisco, ela é a Mãe e Irmã de toda a Família Franciscana em todo o mundo e em todos os tempos.

Como refere o nosso Fr. Mário Silva em mensagem enviada: “Em Francisco e Clara encontramos o rio de Água viva = VIDA ABUNDANTE = onde toda a vida é mergulhada, transformada, vivificada, evangelizada e se torna evangelizadora.

Da Porciuncula a S. Damião e por fim à Basílica dedicada a si na cidade de Assis, erguida no local onde se situara a igreja de S. Jorge, onde ela ouviu Francisco pregar e onde esteve o corpo dele escondido até estar acabada a cripta do Sacro Convento.

Ali repousam os restos mortais da Irmã Clara, expostos à veneração dos fieis que de todo o mundo ali acorrem todos os dias em grande número. Nesta mesma Basílica se podem venerar a Cruz de S. Damião, que falou a S. Francisco, os cabelos e vestes de Clara e de Francisco, entre tantas outras relíquias. Neste dia o nosso coração está em Assis…
Confiamo-nos à oração das Irmãs Clarissas em todo o mundo e imploramos a Deus que continue e conceder à Igreja mulheres como Clara que possam dar mais brilho e calor humano à nossa sociedade contemporânea e a esta Igreja que cada vez mais precisa de modelos a seguir.

Como Santa Clara de Assis dizemos: “Louvado sejas, meu Senhor, por me haverdes criado”.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bem vindos

Olá pessoas!

Estou aqui com meu novo site e novo blog e quero aproveitar para informar, que estou lançando meu terceiro álbum “CARPINTARIA DO BRASIL”.

Este álbum, carpinteiro como gosto de dizer, além de canções próprias e do cancioneiro popular, traz uma canção inédita de Adoniran Barbosa e letra de Hilda Hilst. Vale a pena conferir!

Um grande abraço e até logo mais.