Esta expressão brotou dos lábios e do coração de Santa Clara de Assis pouco antes da sua partida para o Pai.
Hoje voltamos a celebrar esta grande Mulher que, deixando as honrarias do mundo e os pergaminhos da nobreza, se apaixona por Jesus Cristo e se dispõe a segui-lo de uma forma radical ao jeito do Poverello de Assis.
Os sonhos da vida palaciana, de um casamento bem pensado – ao jeito da idade média – depressa passam ao lado das opções da jovem Clara.
Também ela vai buscar para si exemplos e modelos de vida, entrega e doação. Francisco de Assis e os seus companheiros estão presentes no seu pensamento e é com a sua ajuda que ela deixa a casa paterna dos Offreducio para, a meio da noite, e saindo pela chamada “porta do morto (por onde saíam os defuntos), se dirigir com a sua ama ao encontro de Francisco e dos seus irmãos.
É na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos da Porciuncula que estes a esperam. A noite brilha com a luz dos archotes e alegra-se com o cantar dos freis. A noite escura torna-se agora mais clara porque é o lugar da Consagração da mulher mais “Clara que o dia”, da jovem esposa de Cristo que quer ser também ela Menor entre os Irmãos Menores.
Cortado o cabelo (símbolo da Consagração), vestido o hábito de burel como o de Frei Francisco, e um véu na cabeça tornam-se o início de uma nova forma de Vida Consagrada, a Vida das Damas pobres de S. Damião, que mais tarde vêm a chamar-se, e até aos nossos dias, Irmãs Clarissas.
Clara deixa a Pociuncula e vai retirar-se para esta outra Capela e conventinho, o de S. Damião. Se a Porciuncula é o lugar da fundação da Ordem Franciscana, e todos os Movimentos que ao longo destes oito séculos seguiram e seguem Francisco e a Menoridade. S. Damião é o lugar do chamamento, da vocação e do encontro com o Cristo pobre e crucificado que teima em repetir a Francisco e Clara em cada dia “Vai e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”.
Francisco e os seus irmãos entregam este lugar especial a Clara e às sua companheiras de vida e oração. Ali, Clara vive a Menoridade de uma forma muito especial, na entrega total a Cristo na oração contemplativa. Clara é o rosto feminino da Ordem Franciscana e aqui ela tem a missão de ser Mãe, Irmã e Mestra das jovens e mulheres que como ela querem seguir Cristo na radicalidade ao Evangelho. Sim, Francisco e a sua forma de ser e estar no mundo e na Igreja, é o modelo, o exemplo a seguir para não trilhar caminhos que afastem do espírito impelido por Cristo à vida de Francisco e seus irmãos.
A oração e contemplação não esquecem a esmola e o serviço aos outros. As irmãs, e Clara com elas, tal como os frades vão pelas ruas a pedir esmola porque a identificação com os pobres era apanágio desta entrega total a Cristo pobre. E são os pobres que tantas vezes acorrem à Irmã Clara pedindo ajuda nas suas dificuldades físicas ou no pedido de orações.
A “altíssima pobreza” torna-se para Clara “o privilégio da altíssima pobreza”. Olhar e viver o voto de pobreza como “um privilégio” é algo apenas para quem tem muito fortemente o Espírito do Senhor, mais, para quem vive nesta terra apenas em corpo porque tudo o demais da vida está sempre em Deus, Aquele a quem louva constantemente por a haver criado.
A pobreza é o nome que ela tanto quer para sua identificação: as senhoras pobres…
Ser pobre implica estender a mão, o olhar e o coração para alguém que pode ajudar, significa estar livre para acolher cada dia e cada momento da história como algo novo, novo amanhecer, novo encontro com Deus e com os irmãos. Clara, como Francisco, tem um grande sentido de pertença à fraternidade. Uma Ordem religiosa que não se sente mais que de Irmãos e Irmãs Menores numa Igreja onde as hierarquias eram tão acentuadas.
Clara não quer viver ao jeito das monjas beneditinas, quer ser Consagrada no recôndito do seu conventinho, mas ao jeito de Francisco. S. Damião torna-se então, no dizer de Francisco, o jardim mais belo plantado por Deus e onde o próprio Cristo o chama a ser Menor. Clara é, neste jardim, a plantazinha de Francisco.
O amor de Clara a Cristo, à Igreja e ao testemunho de vida de Francisco, levam-na a pedir incessantemente ao Papa que lhe aprove a Forma de Vida do privilégio da altíssima pobreza, para ela e todas as que quisessem seguir o seu estilo de vida.
Este sentido de pertença e a teimosia da santidade que nela já habitava faz com que, já quase no seu leito de morte, o Papa aprove em definitivo esta norma de vida. Clara pode partir em paz porque viu aprovado, com os seus próprios olhos, o projeto que sentia ser o de Cristo para si. Ela é definitivamente o rosto feminino de Francisco, ela é a Mãe e Irmã de toda a Família Franciscana em todo o mundo e em todos os tempos.
Como refere o nosso Fr. Mário Silva em mensagem enviada: “Em Francisco e Clara encontramos o rio de Água viva = VIDA ABUNDANTE = onde toda a vida é mergulhada, transformada, vivificada, evangelizada e se torna evangelizadora.
Da Porciuncula a S. Damião e por fim à Basílica dedicada a si na cidade de Assis, erguida no local onde se situara a igreja de S. Jorge, onde ela ouviu Francisco pregar e onde esteve o corpo dele escondido até estar acabada a cripta do Sacro Convento.
Ali repousam os restos mortais da Irmã Clara, expostos à veneração dos fieis que de todo o mundo ali acorrem todos os dias em grande número. Nesta mesma Basílica se podem venerar a Cruz de S. Damião, que falou a S. Francisco, os cabelos e vestes de Clara e de Francisco, entre tantas outras relíquias. Neste dia o nosso coração está em Assis…
Confiamo-nos à oração das Irmãs Clarissas em todo o mundo e imploramos a Deus que continue e conceder à Igreja mulheres como Clara que possam dar mais brilho e calor humano à nossa sociedade contemporânea e a esta Igreja que cada vez mais precisa de modelos a seguir.
Como Santa Clara de Assis dizemos: “Louvado sejas, meu Senhor, por me haverdes criado”.
Hoje voltamos a celebrar esta grande Mulher que, deixando as honrarias do mundo e os pergaminhos da nobreza, se apaixona por Jesus Cristo e se dispõe a segui-lo de uma forma radical ao jeito do Poverello de Assis.
Os sonhos da vida palaciana, de um casamento bem pensado – ao jeito da idade média – depressa passam ao lado das opções da jovem Clara.
Também ela vai buscar para si exemplos e modelos de vida, entrega e doação. Francisco de Assis e os seus companheiros estão presentes no seu pensamento e é com a sua ajuda que ela deixa a casa paterna dos Offreducio para, a meio da noite, e saindo pela chamada “porta do morto (por onde saíam os defuntos), se dirigir com a sua ama ao encontro de Francisco e dos seus irmãos.
É na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos da Porciuncula que estes a esperam. A noite brilha com a luz dos archotes e alegra-se com o cantar dos freis. A noite escura torna-se agora mais clara porque é o lugar da Consagração da mulher mais “Clara que o dia”, da jovem esposa de Cristo que quer ser também ela Menor entre os Irmãos Menores.
Cortado o cabelo (símbolo da Consagração), vestido o hábito de burel como o de Frei Francisco, e um véu na cabeça tornam-se o início de uma nova forma de Vida Consagrada, a Vida das Damas pobres de S. Damião, que mais tarde vêm a chamar-se, e até aos nossos dias, Irmãs Clarissas.
Clara deixa a Pociuncula e vai retirar-se para esta outra Capela e conventinho, o de S. Damião. Se a Porciuncula é o lugar da fundação da Ordem Franciscana, e todos os Movimentos que ao longo destes oito séculos seguiram e seguem Francisco e a Menoridade. S. Damião é o lugar do chamamento, da vocação e do encontro com o Cristo pobre e crucificado que teima em repetir a Francisco e Clara em cada dia “Vai e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”.
Francisco e os seus irmãos entregam este lugar especial a Clara e às sua companheiras de vida e oração. Ali, Clara vive a Menoridade de uma forma muito especial, na entrega total a Cristo na oração contemplativa. Clara é o rosto feminino da Ordem Franciscana e aqui ela tem a missão de ser Mãe, Irmã e Mestra das jovens e mulheres que como ela querem seguir Cristo na radicalidade ao Evangelho. Sim, Francisco e a sua forma de ser e estar no mundo e na Igreja, é o modelo, o exemplo a seguir para não trilhar caminhos que afastem do espírito impelido por Cristo à vida de Francisco e seus irmãos.
A oração e contemplação não esquecem a esmola e o serviço aos outros. As irmãs, e Clara com elas, tal como os frades vão pelas ruas a pedir esmola porque a identificação com os pobres era apanágio desta entrega total a Cristo pobre. E são os pobres que tantas vezes acorrem à Irmã Clara pedindo ajuda nas suas dificuldades físicas ou no pedido de orações.
A “altíssima pobreza” torna-se para Clara “o privilégio da altíssima pobreza”. Olhar e viver o voto de pobreza como “um privilégio” é algo apenas para quem tem muito fortemente o Espírito do Senhor, mais, para quem vive nesta terra apenas em corpo porque tudo o demais da vida está sempre em Deus, Aquele a quem louva constantemente por a haver criado.
A pobreza é o nome que ela tanto quer para sua identificação: as senhoras pobres…
Ser pobre implica estender a mão, o olhar e o coração para alguém que pode ajudar, significa estar livre para acolher cada dia e cada momento da história como algo novo, novo amanhecer, novo encontro com Deus e com os irmãos. Clara, como Francisco, tem um grande sentido de pertença à fraternidade. Uma Ordem religiosa que não se sente mais que de Irmãos e Irmãs Menores numa Igreja onde as hierarquias eram tão acentuadas.
Clara não quer viver ao jeito das monjas beneditinas, quer ser Consagrada no recôndito do seu conventinho, mas ao jeito de Francisco. S. Damião torna-se então, no dizer de Francisco, o jardim mais belo plantado por Deus e onde o próprio Cristo o chama a ser Menor. Clara é, neste jardim, a plantazinha de Francisco.
O amor de Clara a Cristo, à Igreja e ao testemunho de vida de Francisco, levam-na a pedir incessantemente ao Papa que lhe aprove a Forma de Vida do privilégio da altíssima pobreza, para ela e todas as que quisessem seguir o seu estilo de vida.
Este sentido de pertença e a teimosia da santidade que nela já habitava faz com que, já quase no seu leito de morte, o Papa aprove em definitivo esta norma de vida. Clara pode partir em paz porque viu aprovado, com os seus próprios olhos, o projeto que sentia ser o de Cristo para si. Ela é definitivamente o rosto feminino de Francisco, ela é a Mãe e Irmã de toda a Família Franciscana em todo o mundo e em todos os tempos.
Como refere o nosso Fr. Mário Silva em mensagem enviada: “Em Francisco e Clara encontramos o rio de Água viva = VIDA ABUNDANTE = onde toda a vida é mergulhada, transformada, vivificada, evangelizada e se torna evangelizadora.
Da Porciuncula a S. Damião e por fim à Basílica dedicada a si na cidade de Assis, erguida no local onde se situara a igreja de S. Jorge, onde ela ouviu Francisco pregar e onde esteve o corpo dele escondido até estar acabada a cripta do Sacro Convento.
Ali repousam os restos mortais da Irmã Clara, expostos à veneração dos fieis que de todo o mundo ali acorrem todos os dias em grande número. Nesta mesma Basílica se podem venerar a Cruz de S. Damião, que falou a S. Francisco, os cabelos e vestes de Clara e de Francisco, entre tantas outras relíquias. Neste dia o nosso coração está em Assis…
Confiamo-nos à oração das Irmãs Clarissas em todo o mundo e imploramos a Deus que continue e conceder à Igreja mulheres como Clara que possam dar mais brilho e calor humano à nossa sociedade contemporânea e a esta Igreja que cada vez mais precisa de modelos a seguir.
Como Santa Clara de Assis dizemos: “Louvado sejas, meu Senhor, por me haverdes criado”.
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